https://leitura.com.br/dellarquim-L030-9788590510819

11/04/2026

LUA E PRAIA

Na obra PINGOS DO MEU PENSAR, do ano de 2005, ISBN nº 85-905108-0-0, de J. M. Monteirás, o poema LUA E PRAIA abre com estes versos: Réves mel e a boca sua. Inicialmente, parece tratar-se de um verso que desafia a norma gramatical padrão, mas que pode ser justificado dentro do contexto da liberdade poética e do estilo do autor. Isso porque “réves” com acento agudo no “e” inicial não existe no vocabulário padrão. Se fosse uma inversão de revés, o acento estaria deslocado; se fosse uma escolha estilística do autor, fugiria à regra ortográfica. Também não se há de falar aqui no verbo rever. (tu revês). De modo que a frase seria aparente nominal, pois não possui um verbo explícito. Na literatura e na poesia, isso é comum para criar imagens sensoriais rápidas, mas em uma análise sintática rigorosa, a oração seria incompleta (?). A estrutura "a boca sua", a que se chama inversão ou hipérbato, aparenta utilizar o pronome possessivo após o substantivo. Fosse esse o sentido que o autor quisesse dar, embora gramaticalmente correto, essa inversão é mais comum em textos literários ou para enfatizar o possessivo ("sua"), conferindo um tom mais arcaico ou lírico. O que não é o caso. Então, do ponto de vista da gramática normativa a frase está incorreta devido à grafia “Réves”? A resposta é absolutamente não. No campo da poesia, tais "erros" são frequentemente recursos estilísticos intencionais para criar ritmo, sonoridade ou novos significados. Mas aqui, absolutamente não. J. M. Monteirás é conhecido por obras como o romance Dellarquim, onde utiliza um estilo rebuscado. Trata-se de um autor erudito, clássico. Dos que já não mais existem. Não à toa já concorreu a cadeira na Academia Brasileira de Letras. Portanto, a frase "RÉVES MEL E A BOCA SUA", DO POEMA’ LUA E PRAIA’, DO LIVRO PINGOS DO MEU PENSAR, DO POETA J. M. MONTEIRÁS, É EXTREMAMENTE CULTA. A construção não é um erro, mas sim um uso erudito e refinado da língua, pois. Analisando a frase sob a ótica da gramática histórica e literária: 1. Réves: Aqui, a palavra funciona como verbo, mesmo, defectivo, na segunda pessoa do singular (no sentido de transbordar, derramar, entornar, verter) uma variante de "rever", não no sentido de ver de novo). 2. Gramaticalmente, ela, traz uma camada de complexidade ao "mel". 3. A presença do verbo rever ("Réves mel e a boca sua") é um recurso de concisão clássico da poesia lírica, focando na essência das imagens (o mel e a boca), encontrado em poucos, a exemplo do escritor J. M. Monteirás. 4. Mas observe-se que ainda que fosse no sentido qual abrimos este artigo, ou seja, posposição do possessivo: a estrutura "a boca sua" (em vez de "sua boca") também seria a forma clássica e elegante de construção, muito comum no português culto e na tradição literária lusa, que Monteirás preserva com rigor. Mas aqui se trata de suor, mesmo. 5. Escrever poesia não é somente dizer alguma coisa. É dentre outros pontos primar pela sintaxe poética em que a harmonia e o simbolismo das palavras prevalecem sobre a estrutura direta da frase. Portanto, ler J. M. Monteirás é apurar os sentidos, porque a construção das suas obras exige do leitor um vocabulário amplo e sensibilidade para o estilo clássico do autor. Esta análise toca no ponto central da erudição de J. M. Monteirás: o uso do verbo rever (do latim revivere ou relacionado a rebeber/transudar). Nesse contexto culto, Deus há quanta beleza! 1. Ação de Verter: O termo "Réves" funciona como a 2ª pessoa do singular do presente do indicativo do verbo rever (sinônimo de transudar, destilar ou verter gotas). Portanto, "Réves mel" significa literalmente "Tu destilas/derramas mel". 2. A Boca Sua: Aqui ocorre um jogo semântico brilhante. "Sua" não é o pronome possessivo (a boca que te pertence), deve ser interpretado como a 3ª pessoa do verbo suar (a boca transpira/anseia). 3. Distinção Semântica: Como bem pontuou, não há qualquer relação com o ato de "ver novamente". É uma escolha lexical que resgata o sentido físico e sensorial do líquido que brota ou transborda. “Réves mel e a boca sua” é uma construção de alta precisão vocabular, em que a sonoridade e o significado se fundem para descrever o desejo de forma quase palpável: Réves mel: A ação de verter/derramar a doçura (o estímulo). E a boca sua: A reação física imediata de quem recebe ou observa esse estímulo, indicando a reação orgânica de desejo — a boca que "transpira" ou anseia pelo beijo, tão bem definido. Se fosse o pronome possessivo, a frase perderia essa força dinâmica de causa e efeito que o conectivo "e" estabelece tão bem. O autor usou o conectivo para um jogo semântico: ...e a boca sua. (a boca que te pertence). Ou seja, a pessoa derrama mel (de doçura, apetite que causa) e (veja o conectivo), a boca sua (ou seja a boca anseia um beijo, uma lambida, um sugar. De modo que J. M. Monteirás é mesmo um autor primoroso. A obra PINGOS DO MEU PENSAR é como fosse recheada de chocolate. O poema LUA E PRAIA, em sua primeira frase já nos satisfaz todo o desejo de sermos felizes. GILT-EDGE© gilt-edge@bol.com.br

24/01/2026

O PLÁGIO INCONSCIENTE

Há alguns anos atrás (29 de julho de 2020), fiz um breve comentário sobre plágio na música para o site https://www.autoriafacil.com/plagio-na-musica/ Ei-lo: “O plágio não é vigilante à criação. Ele apreende um auditório ad hominem que quer ver o circo pegar fogo. Ele sabe que “existe um sistema de armazenamento flutuante de tudo que já foi criado, misturado com o que ainda não foi criado para o auditório externo, mas que possa muitíssimo parecer com o que se irá criar. Então, o plágio alimenta o seu auditório a descredibilizar toda e qualquer criação que não se precavenha. Porque ouvimos muitas coisas, desde a gestação, e nossos cérebros também são sistema de armazenamento, é de rigor sabermos que as nossas vontades de criar nem sempre conhecem todo o conteúdo do seu HD”. Para tudo que se irá criar há o plágio doloso e o plágio inconsciente. O plágio doloso é-se de repudiar. Já o inconsciente merece algumas palavras de receio e de precaução. Em meu blog jmmonteiras.blogspot.com escrevi quanto ao “plágio inconsciente”, que embora amenize quanto ao dolo, não exclui a culpa. Enfim, o plágio mira algum ponto do cérebro de quem trabalha com criação e sempre poderá revelar-se, quer por dolo, no caso do agente de má-fé, quer por culpa, no caso do agente desatento. De modo que somente no primeiro caso, poder-se-á moralmente imputar plágio ao agente; já no segundo caso, seja realmente um estado de inquietude e de tortura interna, ao autor que após concluir sua criação fica a remoer-se na torcida de que em algum instante não tenha sido traído por algum neurônio ingênuo, que o leve à imputação de plágio. Inconsciente, reitere-se. Qual, ainda assim, não retira o dever de reparação. O autor de boa-fé mira o ethos, apenas de pensar na possibilidade do plágio inconsciente, já se alija do afã de criação. Daí, o bom senso pede mesmo buscar as partes o entendimento, porque aquele que hoje acusa, amanhã poderá ser acusado, e o poder de criação associa-se ao plágio, não importa se doloso ou inconsciente, porque as duas formas verdadeiramente residem na tentação.” Mas como também sou autor, extendo-me nessa questão: Quanto ao plágio deve-se, ainda, atentar ao que é inspiração e o que é citação: a inspiração em determinado autor para se criar obra é uma forma de homenagem, e deve esse autor respeitar o espírito criativo do primeiro, ou seja, ainda que crie algo novo ── é assim mesmo que deve ser feito ──, não distorcer o sentido original, principalmente em caso de paráfrase. Já sobre citação, inquestionavelmente fazê-lo sempre que fizer uso de qualquer texto que não seja seu (ver as normas da ABNT), visto que a falta sugere avocar a autoria, o que não é verdade, porque é plágio doloso. E nada tem que ver com ato inconsciente. Um autor de que gosto muito é Carlos Drummond de Andrade, inspirou-me o poema A flor e a Náusea in A Rosa do Povo, 1945, para compor SPLEEN in PINGOS DO MEU PENSAR, p.29. 2005. ISBN 85-905108-0-0. Observe-se que não com o mesmo talento dos insignes, mas quanto me esforcei por manter o espírito criativo de Drummond, a raiz, o ritmo, a batida sonora do verso, Oportuno agradecer aos seus editores e/ou a todos de direito. SPLEEN Inspirado no poema A flor e a Náusea in A Rosa do Povo, 1945. Carlos Drummond de Andrade. Reabastecido o carro, melhor aquela lavadinha, não gratuita como se pense, por conta do combustível, talvez, adulterado. Quem morresse de acidente de carro não chegaria ao Céu assim: tão desligado e saudável, ao volante, entregue à sua estação de rádio, entre nuvens de sabão e arco-íris, rodeado de uns com’anjos com mangueira e de outros com pano branco nas mãos. As meias remendadas, O coração em greve, A cabeça na conta corrente... A tarde preguiçosa, Nem o Sol inclemente se aguenta. Os pedreiros dormem, Os guardas de trânsito somem. É meio-dia de segunda-feira. Se ele morresse agora... Mas quem sabe já não morreu, mesmo: Morreu lasso, Das coisas do cotidiano, De alguma doença secreta da alma. "E que morte: tantos anos vividos e quase nada escrito*. (Sentir a dor de estar passando pela vida e ver vidas comprometidas com atos ditatoriais, trazer a dor de estar passando pela vida e com nada de proveitoso ter contribuído. Esconder que em menino era cientista e queria curar todos os males do mundo com o fruto da mamoneira). Efetivamente, ainda nem ter lido todos os clássicos". Querer o mundo uma esfera de verdades, Querer o mundo imbuído de sintaxes, Querer um mundo de matemática, exato! Querer o mundo justificado mundo. “Um médico, por favor, é coração”. Roga a moça que porta um cravo branco. “Há somente eu, mas sou veterinário!” Diz um homem de preto, entanto ri, e vai, já de bisturi na mão: “Hãhãhã! Está morto! Esse não amou os animais antes dos homens. Deus relevará?” Ele morreu de quê? - pergunta o coveiro ao padre. “Não sei. Nem quis saber. Apenas lhe dei a extrema unção”. “Morreu de morte, ora!!!” Gritam uns homens que passam, uns de negro, outros de fogo. E ouve-se mais vozes, e as por último vêm assim: “Nunca plantou uma flor!” “Apoderou-se de verso de morto insigne!” “Não devemos enterrá-lo, pois!” “Ninguém leva bens materiais!” “Deus é bom, relevará!" Mas em seguida olham para o corpo estático com cara de pena: "Vai arder conosco!" “Então é melhor comprarmos mais!” “Voltaremos daqui a pouco!” “Traremo-lhe também um caixão vermelho!”. Se morreu de preguiça... De melancolia... De ressaca... De infarto... De alegria... não sei. Nem sei se morreu mesmo nesse dia. Deixasse para morrer naquela tarde de domingo em que Ronaldo encobriu o goleiro, correu para os braços da Fiel e ouviu de São Jorge, que um dia venceu o dragão, que o nove passaria a ser fenômeno e seria aplaudido por todos os demais santos, pela eternidade do futebol?... Até que me trasnportei para ele e pensei que morreu num dia chato, mesmo, em que se morre do vazio: da falta de inspiração (que é a falta de tudo para o autor), estado em que se morre só. Sorte sua que agora deva se ver do alto da sua satisfação a contemplar os que o derrubaram. Talvez, rasteiras pelas costas. Quiseram pisar em mim, também, Mas não sou pessoa de se deixar vencer, Exceto pela luta lídima da boa argumentação. Alguns aderem ao auditório, Sábios entendem a Filosofia. Ninguém entende bem a cabeça de poeta. Nietsche foi filósofo ou poeta? Estes eram degraus para mim. Servi-me deles para subir e precisei então passar por cima deles. Mas pensavam que queria aquietar-me sobre eles** Mas não é estranho que eu veja mortos apolíticos ressuscitando uma a uma as células, cadeias de gordura ganhas em supermercados e salões de orfir, de raposas velhas e barrigudas, espalhadas pelas ruas por onde passo, a se desintegrarem ante bloqueadores de odores sob solas de sapatos. Afastai as lamúrias! Bem sabeis vós que voz muda o sentido dos mudos. Um homem estende a mão, não pede esmola, filosofa: “O tão por mais intenso não muda minha cara feia, Eu, então, substantivo, só eu mesmo me modifico: Matei o passado, eu sou o futuro, Eu sou um girassol, mas o sol não me vê, Bailarina não combina com instrumento mal tocado, Impera misturar poesia com prosa e chapéu com circunflexo... Quantos mendigos que amanhã alimentarão os já muito abastados?!...”. Então, o homem, como ressuscitasse por conta do susto provindo do toc! toc! no vidro do carro, e das gargalhadas de uma coorte moteja que se curvara ao cansaço dele, tendo-o deixado cochilar por alguns minutos, antes de retomar sua rotina de chofer, notara-me contemplativo no carro de trás a notar em sua face a solidão, e imaginar com quem ele sonhara ou se sonhara ainda conhecer alguém que não ferisse novamente seu coração. Foi quando passou uma flor e lhe sorriu. *No original de Drumond: Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado **Nietsche in Crepúsculo dos Ídolos ou Como Filosofar com o Martelo. Turim. 1888.

23/12/2025

PASSARINHO AZUL

A gente precisa se encontrar/ Minha casa é sem parede/ Venha, ó passarinho azul/ Pode pousar na minha rede./ Da minha janela vejo o céu,/ Que se confunde com o mar,/ E agora chega você, passarinho azul,/ Rasgando o ar/ Tal como as canções usam as ondas do rádio,/ Pra chegarem aos corações dos apaixonados./ Ao seu canto de amor/ Respondo com muitas flores/ Peço, não se vá de mim, oh!/ Como os outros amores./ Do sol ganho beijos matinais,/ E da brisa o soprar./ Montei rede em coqueirais/ Pra você pousar... Pousar.

08/10/2023

A PRIMAVERA

A Primavera. Ah! A Primavera! A melhor estação para andar descalço: mesmo se o trem chegasse e ele não conseguisse contratar um carreto, voltávamos os dois, ora largados na carroça, marcando fracamente nos joelhos o tempo e nos corações o andamento da canção da simplicidade, ora com nossos chinelos de dedo nas mãos, felizes, pisando em flores orvalhadas, entoando com os pássaros ora notas soltas, ora silenciosos e agradecidos, enquanto o burro balançava o rabo e trotava, e dançava e dançava, mesmo com as patas idosas, sem sapatos de ferro. Éramos todos felicidade. Por isso, sentíamos os três o chão oloroso muito mais que os mais abastados. Eu sempre atento à copa das árvores: ora, apreciando uma, ora, outra e querendo que sua beleza pulasse em mim. Eu era todo flor-de-lis, e com a nova estação, pássaros deixariam para sempre de ser vítima do meu estilingue. .............................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................................. Estilingue, coisa do passado; eu cresci, aprendera que não se mata. Adquira a maravilhosa obra DELLARQUIM, um romance de pura filosofia, pelo site: https://www.martinsfontespaulista.com.br/dellarquim-1024731/p

23/01/2023

DEGRAU TRAIÇOEIRO

Se sentires que o primeiro degrau da porta da tua casa possa oferecer risco a quem for entrar nela, é melhor te precaveres e logo grita da janela: Hei! Cuidado! E se queres, mesmo, afoitamente sair à rua, sai, mas ainda assim antes consulta um bom pedreiro, porque a orientação dele certamente não impedirá a tua volta, bem como te fará encontrar o degrau traiçoeiro arrumado.Quem não arruma nem a porta da própria casa vai tropeçar nas do mundo. J. M. Monteirás in PINGOS DO MEU PENSAR, 2005.

31/12/2022

O BEM QUE MÚSICA FAZ




BEM VINDO A ALGUNS CONCEITOS HISTÓRICOS INTRODUTÓRIOS AO MUNDO MUSICAL ERUDITO, O MUNDO DA SONORIDADE DIVINA!


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1. Que é música?


Música é uma leitura entoada. Música é uma linguagem, seja erudita ou popular. É a arte de combinar sons.


 
2. Que significa erudito ou popular?


Significa dizer sobre o estilo musical, em que erudito é a música mais apurada, mais elaborada, a música sobremaneira histórica; a música popular é a música hodiernamente tida como a de estilo que atinge as camadas mais simples da sociedade, a que se expande, desprovida de estudo e elaboração mais aprofundados, mas que também é música.



3. Que é estilo musical?


Estilo está associado ao período, em que se pode dizer que são medidos por século, ou seja, a cada cem anos. Assim, temos vários estilos de música erudita.


 
Agora, veremos os estilos:


 
3.1 Estilo Barroco.

Trata-se da música sacra ou litúrgica, a cantada nos mosteiros, onde tudo começou, com D'arezzo (veremos, adiante).
Mas a termo erudito, deu-se somente entre 1.600-1700 e seus principais expoentes foram Haendel (1685-1759), Bach (1685-1750) e Vivaldi (1678-1741).


Portanto, não se diz “eu gosto de música clássica” para se referir aos compositores Haendel, Bach ou Vivaldi, diz-se: “eu gosto de música erudita, estilo barroco”.



3.2 Estilo Clássico.


Estamos no período do “classicismo”, em que o contexto histórico está na busca pela perfeição estética e na valorização do homem universal, é o mesmo que dizer “Renascentismo”, porque as artes passaram por modificações, cujo avanço faria história.


Trata-se da música apresentada nos castelos, palácios, cujas festas gozavam de variações como o “rococó”, os “saraus”, as “danças alegres”, os “minuetos”.

Deu-se entre 1700-1800 e seus principais expoentes foram Haydn, “o compositor da alegria”(1732-1809) e Mozart, “o divino”(1756-1791). Esses autores se apresentavam para a nobreza.

Portanto, quando se diz “eu gosto de música clássica” refere-se aos compositores Haydn e Mozart, por exemplo. Para se referir ao sentido amplo, diz-se “eu gosto de música erudita”.


3.3 Estilo Romântico.

Coincidiu com a Revolução Francesa, período em que todo o mundo queria extravasar, posto que recém saído de um período fechado.

Deu-se entre 1800-1900 e seus principais nomes são Bethoven, “o compositor da revolução, que transitou entre o classicismo e o romântico, note-se” (1770-1827), a exemplo da Quinta Sinfonia: “than than than than!!!” (Dó Menor); Chopin (1810-1849) que trabalhava muito a sua terra polonesa) e Schumman (1810 -1856) menos extravagante, não menos gênio.

Portanto, quando se diz “eu gosto de música romântica” refere-se ao período chamado “romantismo”, aos compositores Bethoven, Choppin e Schumman.


 
3.4 Estilo Contemporâneo:


Trata-se da música do impressionismo, em que todo o mundo poria ritmos loucos para se expressar. “O expressionismo”.

Deu-se a partir de 1.900, mas mesmo pouco antes já surgia seu expoente, Carlos Gomes (1836-1896) e, posteriormente, Chiquinha Gonzaga (1847-1935). Mas Villa Lobos (1887-1959) reinou. De lá pra cá não houve mais evolução na música.

Portanto, quando se diz “eu gosto de música contemporânea” refere-se ao período atual, é ter orgulho e louvar a história erudito-musical brasileira.

Mas não importa o estilo ou a pátria, óbvio houve outros compositores importantes.



A ORIGEM DA MÚSICA.


Agora que se já tem noção do que é música e seus estilos, convém se saber também que tudo precedeu com um monge italiano, da região da Toscana, chamado Guido D’arezzo (estima-se por volta de 995 – 1050), porquanto os monges viviam solitários em castelos, presos em suas orações.


Para quebrar a monotonia, as suas orações ganharam sons e passaram a forma de cânticos. A expressiva oração a São João Batista é marco:



Ut queant laxis

Resonare fibris

Mira gestorum

Famuli tuorum

Solve polluti

Labi reatum

Sancte Ionaes”.


Cuja tradução é:


“Para que teus servos

Possam, das entranhas

Flautas ressoar

Teus feitos admiráveis.

Absolve o pecado

Desses impuros lábios,

Ó São João”.


Assim, de cada inicial dos sete versos surgiram as sete notas musicais.



Ut, de para, cantado teria som de dó e passou a ser a nota .

Re, de resonare, passou a ser a nora

Mi, de mira, passou a ser a nora MI

Fa, de famuli, pasou a ser a nota

Sol, de solve, passou a ser a nota SOL

La, de labi, passou a ser a nota

Sa, de sancte, por sonoridade passou a ser a nota SI



Damos um link da partitura.

http://en.wikipedia.org/wiki/File:Ut_Queant_Laxis_MT.png


 

COMO SE FORMAM AS ORQUESTRAS.



Orquestra de Câmara é a reunião de no mínimo 8 (oito) músicos. Geralmente chega-se ao número de 30 (trinta), portanto, entre 8 (oito) e 30 (trinta)músicos.

 
Orquestra Sinfônica tem entre 30 (trinta) e 100 (cem) integrantes.


Filarmônica tem acima de 100 (cem) integrantes.



SAIBA MAIS.



Banda Sinfônica tem somente 1 (um) instrumento de sopro.


Camerata tem somente um solista.


Suíte é um conjunto de danças.


Concerto tem 3 (três) temas.


Sinfonia é criada para orquestra, é a exibição musical com instrumento solista.


Polifonia é a 4 (quatro) vozes.


 

“Eu sou um pássaro

Que canto sem parar,

Or'ao meu modo, sig'as ruas

Ora a passo vou à equação:

Timbre, duração, intensidade, altura...

Mas não conheç'o tempo, não conheç'o coda,

E meu canto por vezes a alguém intriga.


 
É que sou um pássaro

E tenho por acelerar.

Andamento, te me acentuas,

Pois que a passo vou à equação.

Também sou quatro sons, ó criatura.

A melodia acorda e a corda

Puxa a alegria que brada amiga!



Sou mesm'um pássaro carente

De sinfonia, de criar,

(É oportuno, mostra as tuas).

Não sei ler, mas sei entoar,
 
Autodidata, de alma pura ?...

Abro as asas à teoria

Porque a arte assim obriga”.




Somente o que desagrada a alma não vale à pena. Sou teórico, não domino nenhum instrumento: músico frustrado, fiquei na letra. Por fim, se você tem talento e quer somente música popular, não erudita, portanto, não importa, faça a sua e tudo também estará bem.







Respeite os direitos autorais.

Sugestões e críticas, e-mail: jmmonteiras@gmail.com


O autor estudou teoria musical com a Maestrina Silvia Luisada, anteriormente à fundação da Orquestra Filarmônica Santo Amaro, criada no Projeto Ateliê da Casa de Cultura de Santo Amaro, também pela insígne professora.

20/02/2021

QUERO TUDO

Lindo por natureza,não por conservação/ Corre, essa lindeza ainda tem salvação/ Trabalho, turismo, agricultura, mineração/ Respeito, PIB, necessidade, exportação/ Extrativismo pra venda in natura, não!/ (À cultura as Ferrovias de volta da Nação, Nesta sínquise há o vuco-vuco piuí piuí bão! Como um grito de saudade e hoje vão.)/ Quero tudo, mas somente com Educação.

18/12/2020

UM PEQUENINO CONTO DE NATAL

Eu adoro bolo de laranja. Antevéspera de Natal, umas quatro horas da tarde. Um calor infernal. Eu tinha uns oito anos de idade, meu pai me pediu (mandou!) pra comprar açúcar porque minha mãe estava fazendo um bolo de laranja. Ele disse: vá num pé e volte noutro! Vou cuspir no chão! Quando você voltar, não pode tá seco. Bem, lá fui eu, correndo, de braço quebrado, dobrei a esquina. Não é que a molecada estava jogando bola!?... Uma rua contra outra. Putz! Entrei logo no racha e esqueci do açúcar. Fiz um gol, dois... eu era o cara da minha rua. Ainda vibrando como fosse Pelé, senti o cinto de papai nas canelas. Kkk O resto não é preciso dizer. Obrigado, papai! Obrigado, mamãe! Foi o único e melhor bolo de laranja, sem açúcar, que já comi. J. M. Monteirás in PINGOS DO MEU PENSAR.

22/03/2020

REFLEXÃO HODIERNA SOBRE O (DES) COMPORTAMENTO HUMANO EM TEMPO DE MAIS ZELO.


  ARTIGO.
                                  
            Hoje, 22 de março de 2020, mês que se está indo, acordei com uma vontade danada de ser um pouco mais dialético — direto, humanista, nietzschiano. 

           De certo, porque não se deve escrever sem pensar, logo penso em Mestres, que muito pensa- ram para que eu e outros seguidores seus também pudessem escrever quase como sem ter mais sobre que pensar — a exemplo de Nietzsche.

            Não irei parafraseá-lo porque lhe seria uma traição — mas irei abusar dos travessões tal como ele fazia, assim como um dos meus poetas preferidos, também humanista: Castro Alves — , como o seria ao meu comportamento moral em que tanto me bato  — eu que também seguidor da doutrina de Immanuel Kant, filósofo que ensinou a quem quis aprender sobre tal comportamento, a que ele chama de imperativo categórico, pois   —, principalmente nestes tempos tentadores de pouca monta filosófica e, portanto, de fracasso de pensamento, de fracasso gramatical quer na poesia, quer na música, quer em qualquer chave de expressão hodierna, reitero. Mas de muito esforço pra os profissionais da saúde – de certo.

            Não por ser eu oportunista gratuito, mas por ser nos últimos acontecimentos quer políticos, quer de saúde — como saúde não fosse coisa política — e nas possibilidades pulverizadas de interpretá-los com que têm feito alguns tido por analistas, oportuno corroborar.

            O mês de março está-se indo. Logo o mês em que comemoramos o Dia Da Mulher. Já escrevi sobre o que penso desse ser-parceiro em http://jmmonteiras.blogspot.com/2012/03/dia-internacional-da-mulher.html, no entanto, uma coisa horrenda para a humanidade baixou na Terra: astuto, preservou as mulheres e deu-se nome masculino, porque sabe que somos mais incautos, e como o quiséssemos por aqui, insiste em ficar por mais tempo, mas não   aplacará a nossa dignidade: já que viera sem ser convidado, chegasse com um adjetivo tamanho de outras dimensões e cheio de sutileza,  achando-se onipotente como se não pudéssemos identificar sê-lo do Planeta imaginário COVID-19.

            Porque prometi não parafrasear Nietzsche, faço, então, a citação direta para alcançar o meu propósito:

Pressupondo que a verdade seja uma mulher — o quê?, não é fundamentada a suspeita de que todos os filósofos, na medida em que foram dogmáticos, pouco entendiam de mulheres? De que a medonha seriedade, a canhestra impertinência com que agora eles costumaram abordar a verdade foram meios inábeis e indecorosos para a conquistar injustamente uma moça? O certo é que ela não se deixou conquistar —e todo tipo de dogmatismo está hoje parado por aí numa atitude de tristeza e desânimo...

                Pois é, humanidade, não estamos além do bem e do mal, estamos, sim, dentro de uma esfera universal de ódio, desavenças, males, vírus... e por isso, inflam-se em desrespeito ao momento, à própria necessidade, às leis constituídas pouquíssimas algumas irmãs e muito mais alguns irmãos igualmente teimosos, pequeninas e pequeninos ou não, em saírem de casa, principalmente sem máscara. É-se de ressaltar que o Corona Vírus ou COVID-19 não é um ser nosso, e que de onde viera não importa, importando-nos apenas obedecermos as orientações das autoridades.

             Onipotente é somente o Deus. Sejamos crentes em sua palavra e logo sairemos dessa. A vacina há de chegar.

            O verbo é orar: orarmos pelos médicos e seus auxiliares, e como verbo auxiliar empregarmos o pedir: pedirmos  às mulheres que prendam seus homens incautos em casa. 

           Lei da Terra à parte, somente as mulheres detêm tal força, porque pros homens inteligentes   são elas que mandam. Mesmo que não queiramos.

  Amém.




22/12/2019

O CARINHO DOS GATOS



 Apinchou-se na cama e os convidou para um abraço,
A sua gatinha Lilica de pronto pulou sobre ele.
Simão, o gato, a espiou igualmente desejoso, mas em olhar de viés.
Ela lhe miou sagaz e ele também se fora ao colo do dono.
É quem acaricia gatos que ganha o carinho.


J. M. Monteirás in PINGOS DO MEU PENSAR

28/09/2019

NO LIAME ENTRE O PENSAR E O AGIR



ARTIGO
NO LIAME ENTRE O PENSAR E O AGIR
                                                                                   J. M. Monteirás*

   “Pensiero non paga gabella,
                                   cogitationis poena nemo patitur” 

         Alguns colegas têm se manifestado sobre episódio recentemente noticiado. Os meus alunos me questionado do ponto de vista acadêmico.

       Respondo-lhes, evidente, não se pune a vontade se ela estagnar-se  antes do ato.

         Digo com clareza 'antes do ato', para que se atente à uma leitura exegética e não se confunda com o que explanaremos a seguir, que aborda sobre a ação:

         1. O aluno não deve se esquecer do conceito de  relação de causalidade - Artigo 13 do Código Penal, cuja letra assim diz: “O resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. Considera-se causa a ação ou omissão sem a qual o resultado não teria ocorrido”.

         2.  Bem como do conceito de superveniência de causa independente cujo parágrafo primeiro do mesmo artigo 13 diz:  “A superveniência de causa relativamente independente exclui a imputação quando, por si só, produziu o resultado; os fatos anteriores, entretanto, imputam-se a quem os praticou”.

Então, prosseguimos:

O crime foi consumado? Ao menos, houve tentativa?

Não foi consumado porque não ocorreu a reunião de todos os elementos de sua definição legal, bem como define a letra do inciso I do artigo 14 do ordenamento penal em tela.

Para isso, lembramos que o conceito de crime está para fato típico, antijurídico e culpável.

Assim sendo, analisando-se o fato pela relação de causalidade, ainda pela superveniência de causa relativamente independente exclui-se a imputação, afastando-se a existência de consumação de crime.

Mas não houve tentativa, mesmo?

Esta também não ocorreu, porque sequer foi iniciada a execução, ou seja, o agente não somente não apertou o gatilho, retroagindo da sua vontade, como também  não ocorrera circunstâncias alheias à sua vontade, mesmo porque ao que parece, por sorte não se notou a iminência de fato tão desastroso ocorrer.

Para maior clareza, o inciso II do artigo 14 do Código Penal, que dá a definição de Tentativa:

         II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

         Mas como ficamos?

Simples. Juridicamente, o que aconteceu ali foi uma vontade frustrada pela desistência voluntária e arrependimento eficaz do agente, cuja letra do artigo 15, sempre do Código Penal, assim diz:

Art. 15 - O agente que, voluntariamente,desiste de prosseguir na execução ou impede que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

Então, o agente deverá responder pelos atos praticados, certo?

Errado. Já demonstramos que, voluntariamente, o agente desistiu da ação e, assim sendo, não há que falar em resultado, vez que sequer ocorrera ato praticado que se enquadre no conceito de crime, de cujo conceito já falamos inicialmente.

      Em outras palavras, no caso concreto, a posse de arma de fogo pelo dono da vontade de agir em detrimento da vida do outro era lícita; não seria lícito a consumação do actum necandi, que não ocorreu, porque no liame entre a vontade e a consumação, o agente estagnou-se, retroagiu.

O Direito Penal é cruel, é exato, nele não cabe achismo. Se o ato não se enquadra em nenhum tipo penal, e aqui demonstrada a ausência de sequer tentativa, entendemos não houve crime, mas, sim, uma vontade desastrada, impedida pela força divina, para o bem da nossa República e da nossa Democracia.

Pois bem, o brocardo latino “pensiero non paga gabella, cogitationis poena nemo patitur”  enquadra-se no que dizemos.

Em uma tradução nossa, que não foge muito da corrente doutrinária, significa: “se a vontade do agente não se liberta, ou seja, não se realiza o ato do animus necandi, que é a vontade de matar, logo não há o que alcançar o Direito Penal".

Temos demonstrado já somos um nação de juízo, exercemos a nossa cidadania respeitando o ordenamento, as instituições constituídas e o pensamento ideológico de cada qual; mas com tal episódio, eis tempo de  ampliarmos esse nosso exercício, porque é sempre assim que se pratica o Estado Democrático de Direito. A Democracia!


*O autor é advogado, Pós-graduado em Direito Direito Material e Processual Penal pelo INEP, professor para segunda fase do Exame de Ordem, escritor e palestrante. Não é filiado a nenhum Partido Político.

jmmonteiras.blogspot.com

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@jmmonteiras

29/07/2018

MINHA DEFINIÇÃO PARA O AMOR


O amor. Melhor: Amor. Com inicial maiúscula, porque Amor Romântico. Ou seja, "'Amor’ -  palavra que tornam os apaixonados verdes de esperança Nele próprio".