quarta-feira, 16 de março de 2016

POEMA À DEMOCRACIA

Ah, Tu à gente nova que não viveu um só dia negro, 
Que não é dada a Oliver Cromwell, a Jacobinos...
Ah, Tu à gente lhana que parece se dera ao pelego,
Mas que também Te merece, ainda não a seus hinos...

Gente que finco'esp'rança n'alma de quem fosse a desgraça
Ou o mal, mas idolatrado, visto como bom, irmão e patriota,
Jamais corvo a rasgar a alma de quem lhe confiou o faça!
E de tão mau enlaçasse a nação e a fizesse parecer idiota?

Não! É essa gente lhana a que Tu hás de  sempre querer, 
Não a um traidor que salgasse a cama do Brasil-criança,
Porque Contigo em cada um de nós, num eterno merecer,
Fazemos a Pátria prometida que a partir de hoje avança.

Saiba Tua gente pelo Deus de certo amada,
Mas deveras tão dotada de inocência!:
Eu já alimentei o Teu amanhã, e não sou nada.
Sim, um dia fui viril na ação, e não pedi clemência,

Sofri, mas não quebrei um só galho das nossas rosas,
Procurei tanto crescer em Ti, ó mãe Democracia,
Envelheci, mas cantei aquela canção, fiz versos e prosas,
Denotei, não sei, mas não deixei a Pátria de Ti vazia.

Eis porque peço por Ti à essa gente irmã, 
Vez que o mal é um rio que parece o Don,
"Corrige o teu erro, por teu amanhã,
Abre a goela e avança ao front

Das ruas e marchando em paz, 
Cantando o sonho em sua verdade.
Vai! Pratica agora o que A satisfaz:
A Sua essência pura de Liberdade!"



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

UM CONTO DE CARNAVAL


Escrever é muito gostoso! Sonhar, também! E às vezes, sonha-se cada coisa! O que uma caipiroska de laranja lima da pérsia não faz! No Carnaval, talvez mais.

Na noite passada, sonhei que estava a dar uma palestra na FIESP (agora é que não vai me convidar, mesmo), sobre carga tributária excessiva no País.

Eu dizia que é falso pensarmos que trabalhamos cinco meses no ano, apenas para encher a barriga do faminto estado brasileiro. Que isso é paradigma e precisa ser quebrado!

Isso mesmo. O meu sonho me proporcionava — a considerar que nunca temos coisas boas vindas do Estado —  que ficaria quebrado o já dito paradigma de que trabalhamos cinco meses por sustentar quem ou o que já se sabe quem ou o que seja, trabalhando-se somente três meses. Paradigma quebrado em nome da cidadania, ora!

Não abordava sobre inaptidão de seus agentes para administrar a coisa pública, desvio de valores como mentira e corrupção...

Focava apenas no axioma ‘como, data vênia, sumulado pela grita nacional’, esse mal que não é de hoje: de as classes empresarial e operária darem seu suor por alimentarem agentes políticos ululantes: não somente no sentido da evidência, mas também como no comportamento dos lobos, principalmente quando novamente estão famintos. Por que não?!

Também: conforme a máxima nacional, o País só deslancha, mesmo, depois do Carnaval. O que significa dizer, a partir de março. Logo, nosso ano-calendário deveria incidir para efeitos de apuração tributária, apenas sobre 10/12 avos, não!? kkk

Ainda, que fosse mesmo engano da Receita. O cidadão só será, mesmo, vigiado se movimentar acima de dois milhões, de euros, por dia. kkk

Por fim, no sonho, eu era candidato a deputado federal.  Acordei rapidinho! Porque amo meus compatriotas e não me conheço em legislando.

Como diria Aristóteles “pode ser e pode não ser”. Eu, particularmente, acho que pelo que entendo de axioma, é.  Ou acabei de inventar esta estória. Sou apenas escritor.




domingo, 31 de janeiro de 2016

ONTOLOGIA POÉTICA DOS TEMPOS ATUAIS

Quando eu nasci, cheguei todo lambuzado de margarina.
Disseram que eu era um pão.
Já com alguns meses de vida e de unhas crescidas,
disseram que eu era um gato.
Fiquei mais velho e passaram a me chamar de boy.
E a medida que o tempo passou, trocaram esse apelido por gordo.

Na verdade, passaram margarina no meu pão e comeram tudo com suco de preconceito,
Mataram a pauladas aquele gato e agora me acham um chato.
A final, o que esta sociedade quer das nossas crianças?
É possível distinguir o conceito de vida entre  homem e o animal?
Educação não é imperativo?!...

EU SEI, MAS NÃO DEVIA


                                               Marina Colasanti, 1972.
Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra     vista que  não as janelas ao redor.  
E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. 
E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz.
E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra.
E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos.
E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz.
E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a ganhar menos do que precisa.
E a fazer fila para pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E a saber que cada vez pagar mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes.
A abrir as revistas e ver anúncios.
A ligar a televisão e assistir a comerciais.
A ir ao cinema e engolir publicidade.
A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias da água potável.
À contaminação da água do mar.
À lenta morte dos rios.
E se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. 
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana.
E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.  
(1972).

Marina Colasanti nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em Amor; Contos de Amor Rasgados; Aqui entre nós, Intimidade Pública, Eu Sozinha, Zooilógico, A Morada do Ser, A nova Mulher, Mulher daqui pra Frente e O leopardo é um animal delicado. Escreve, também, para revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

Fonte: http://www.releituras.com/mcolasanti_eusei.asp

Crítica ao texto:

O texto acima foi extraído do livro "Eu sei, mas não devia", Editora Rocco - Rio de Janeiro, 1996, pág. 09. 

Mas foi escrito em 1972, há 44 anos, portanto, e já refletia as amarras sociais a que o homem está preso. A sociedade aprisiona em convenções, cujas não resta ao homem obedecê-las, segui-las, se quiser fazer parte do contexto social no qual pretendeu se inserir.

Caso contrário, se quiser quebrar esse paradigma, elo de uma corrente impositiva, terá de romper com todo o seu meio familiar, por extensão com toda a sociedade que o cerca, por conseguinte com todo o sistema social, de modo que ficará segregado como ser humano, num mundo marginalizado e desprezível aos olhos da sociedade universalizada.

Embora é possível romper esses elos, é impossível fazê-lo sozinho. Mas somente um grupo organizado, forte, fortíssimo, ou seja, uma nova sociedade que faça força a esse sistema de aprisionamento, seria possível aplacar a força do texto de Marina. O que não existe e, possivelmente, não existirá. Todos sabemos que é assim que nos submetemos, mas não devíamos nos submeter. Encontrar a fórmula da mudança somente, mesmo, com novo conceito de educação. O que para tanto, infelizmente não se alcançará. A gente se acostuma para poupar a vida, que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.  
J. M. Monteirás

O MENINO E O TAMBOR

Eu era um menino que só sabia fazer barulho,
por isso aprendi a tocar tambor.
Acontece que um dia deixei o meu tambor na chuva
e ele se deteriorou.

Fato é que também me esqueci de como se faz barulho
e de todas as outras coisas que eu tinha na mente.

Tornei-me  vazio — um tambor sem som.
Mas quis aprender coisas novas.
Portanto, diferentes daquelas as quais eu me esqueci.

Assim, buscara alguém que me pudesse ensinar algo muito diferente do que outros pudessem almejar e que me instigasse a reaprender o esquecido.
Significa dizer que eu  abrira a mente e que isso é efetivamente aprendizado, troca, querer ver adiante.

Eu era professor e tornara-me aluno, eu era sabichão e tornara-me altero.
Eu era aluno e tornara-me professor com outro professor.
Agora, lhes abro o meu corpo, mente e emoção...
Como em troca de informações, por ainda nada sabermos.




sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

CORINTHIANS, 25 ANOS DAQUELE TÍTULO.

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Queridos amigos. 

Vou-lhes contar um fato sobre esse time.
Eu matara a tarde no meu trabalho, somente por ir assistir ao treino do Timão e também tirar algumas fotos e autografar o manto sagrado e branco para a minha afilhada de apenas três aninhos de idade.

 Era terça-feira, não me lembro a data exata. O grande Vicente Matheus dava entrevista para uma rede de tevê no jardim do Parque São Jorge. O craque Neto chegava com uma jaqueta de couro bege.

— Que é? Que você quer? Falou o craque Neto.

— Neto, por favor, tira uma foto comigo.

— Pra quê?

— Pra eu dar pra minha afilhada de três aninhos de idade e ela guardar pra história, respondi.

— Então, tá bom, porque se fosse pra você eu não tirava, não!
 respondeu. E tiramos a foto.

— Só isso que você quer?

— Fiquei meio sem graça. Perto dos ídolos, sempre ficamos sem graça. 
E ele:

— Aproveita, pô!  Tô brincando.

Ao que relaxei.

— Então, me dá um abraço. E ganhei um abraço e um tapa meio fortes na costas.

— O assistente administrativo do Timão, que me acompanhava, falou:
— Neto, a camisa está chegando, depois você autografa pra ele, por favor.

— Tá bom! 

Mas depois, olhou pra mim e disse:
— Você ainda quer isso, também!?

Apenas sorri.

— Agora vou trocar de roupa e vou pro treino. E seguiu.

— Imediatamente, aproximou-se Ronaldo, colocou a mão esquerda no meu ombro e disse, sorrindo:

— E eu, não quer foto comigo, não!? Neto é mascarado (brincou).
Abracei-o na cintura (só tenho 1.70 m). E tiramos a foto.

Treino em andamento. Eu os admirava silente, pensativo. Que galera humilde! Unida! Vão ser campeões!

Ao final do treino, acreditem: todos de camisa na mão, abraçavam-se e sorriam, mesmo suados. Passaram pelo portão do alambrado e entraram no velho vestiário, onde havia alguns chuveiros precários e uma velha mesa de madeira bem no meio do ambiente.
Entrei junto e fiquei ali, num canto, esperando.

Fui gentilmente atendido por todos. Mas, Fabinho, ponta direita, o último a sair do banho, a chacoalhar o cabelo, gritou: espera! Já vou aí! Desculpa! E veio: toalha branca enrolada na cintura, as mãos ainda meio úmidas. Secou-as de vez, autografou o manto sagrado, depois me abraçou e tirou quantas fotos eu quis. Foi vestir-se, mas não antes de repetir: Me desculpa pela demora, tá!

Bem gente, hoje sou cinquentão e este testemunho só não é mais substancial porque fui assaltado de volta pra casa e levaram-me todo o material. Mas o fato está na memória e o concretizo neste verídico texto.

Hoje, somos bicampeões do mundo, já não temos mais velhos chuveiros e mesas, pelo contrário, uma arena com o que há de mais moderno em instalações e um museu com momentos históricos desses craques e de outros que por lá passaram e teremos dos que ainda chegarão.

Obrigado por tudo, Corinthians. Obrigado, campeões. 25 anos!

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO! A começar pelos que já estão com Deus.


quinta-feira, 1 de outubro de 2015

DA MENORIDADE PENAL, DA EDUCAÇÃO E DA SEGURANÇA NO BRASIL




Amigos, em 01 de agosto, pp, escrevi a um Senador. Mas chamo à atenção, agora, para o item "DA EDUCAÇÃO", visto que o Senado acaba de pensar em aplicabilidade da Constituição para os ensinos fundamental e médio (ver link ao final).

DA MENORIDADE PENAL, DA EDUCAÇÃO E DA SEGURANÇA NO BRASIL
By J. M. Monteirás, 01 de agosto de 2015.

“Preliminarmente, é cediço dizer que o menor deverá ser educado conforme a necessidade hodierna, com vistas a enfrentar as adversidades que o mundo adulto se lhe apresentará, a rigor, da vida profissional e familiar, posto que o trabalho e a família são pilares da formação do Estado.

O Brasil é um País democrático, assim analisado à luz da nossa Constituição e se comparado a outros estados democráticos de direito.

 Mas que é mesmo democracia? Toda a democracia é absoluta?
Simples de responder: ‘democracia é viver em harmonia com os direitos’.
Mas a democracia, desde a Grécia antiga, nunca foi absoluta. Haja vista os gregos nobres, ou os abastados, não terem os incultos, ou os pobres, no mesmo patamar de igualdade e até lhes aplicassem a escravidão.
Já no conceito humanista, mesmo considerando-se o critério bio-psicológico do indivíduo — a imputabilidade está associada à idade e à capacidade de o agente entender o fato no momento praticado —, mesmo os Estados tidos por democráticos exercem-na no liame da necessidade quer dela própria, quer da aplicabilidade da força — há indivíduos adultos, mesmo não sendo absolutamente nem relativamente incapazes, mas plenamente sanos, apresentam-se em uma inocência comparada aos relativamente incapazes, por conta do cerceamento do Estado do seu direito de educar-se ou de avançar nos estudos: eis como exemplo o virar as costas da sociedade e a ausência de resgate amplo dos cidadãos das ruas engolidos por fatos eminentemente sociais ou pelas inconstantes conjunturas. Logo, de acordo com cada Estado, toda a democracia, bem como os direitos humanos parecem ser relativos.

DA REDUÇÃO DA MENORIDADE PENAL:
Como a discussão, então, seria se a redução da menoridade penal aboliria o direito e a garantia individual do menor, entendemos que não os aboliria, apenas os modificaria, visto a necessidade social atual. Mas desde que respeitados os direitos humanos, esses pétreos, já que também assinamos o Pacto de San José da Costa Rica, e os Pactos integram a Constituição como normas supra legais. Não somente por conta disso e das inúmeras emendas que recebeu, já podemos dizer que a nossa Constituição é neo-constitucional, embora quando da promulgação ainda fosse rígida.

As Constituições rígidas, são aquelas nas quais para que ocorra determinada alteração é necessário que se faça a observação de um criterioso procedimento previsto na própria Constituição. Ou seja, uma Constituição rígida caracteriza-se sobretudo pela forma como esta deve ser revista, com maior ou menor grau de requisitos e pressupostos para que possa haver uma revisão constitucional.

As alterações nas Constituições são necessárias porque o direito está em constante evolução devendo o direito positivado acompanhar esta mudança, porém estas mudanças devem respeitar a ordem jurídica existente, do contrário colocaria em risco a segurança do Ordenamento Jurídico.

Por outro lado, mesmo ciente que a menoridade penal não aboliria os direitos e garantias individuais, apenas os modificaria, adequando a sociedade aos fatos hodiernos, e as emendas inconstitucionais sequer deveriam ser submetidas a votação, não é difícil de enxergar que o Brasil ainda não suportaria tal redução, posto que não oferece condições dignas a todos os seus cidadãos. Então, é imperativo pensarem os legisladores primeiro em educação e segurança.

Logo, a saída não é tratar a sociedade brasileira — que é produtiva e a contragosto sustenta a corrupção em detrimento de todos os valores que a humanidade entende por virtuosos, fundamentados na moral, portanto, provindos de Aristóteles (340 a. C.) e hodiernamente do imperativo categórico, doutrina do filósofo Immanuel Kant —, já além de amedrontada (quer a de senso comum, a de pseudos intelectuais e a de leigos jurídicos), como também fosse ave para foie gras, empurrando-lhe goela abaixo, uma lex praevalidi.

Que o Brasil se levante logo do seu berço esplêndido e cumpra seu dever, se quiser ser nação em destaque no mundo humanista. A começar pela educação, mas não sem apresentar um plano consistente, que venha a socorrer e vá além das ações pedagógicas tidas atualmente, ou seja, um plano com tecnicidade educativo-político-jurídica, o que desde já alerto ser muito difícil de pô-lo em prática, haja vista a nossa postura de cidadãos ainda em aprendizado, não já de povo na visão universal das ciências políticas.

Porquanto, se quanto à educação já nos será muito difícil, quanto a segurança bem paga, bem instruída e respeitadora dos direitos humanos, infelizmente ainda sofreremos mais um pouco. Ainda assim, apresentamos à Nação nosso plano:

DA EDUCAÇÃO:
Implemente-se nos clubes de futebol(alguns já o fizeram), nos clubes atléticos e nos Comitês Olímpicos a universalidade de escolas, ou venham a disponibilizar todos os meios tais a facilitar o acesso aos seus menores de dezoito anos.

No ensino fundamental:
Implemente-se a universalidade do tempo integral e a obrigatoriedade de se cantar o Hino Nacional além do estudo da Constituição, ou seja, dos direitos básicos, em todas as escolas públicas, antes do início da aula.
Implemente-se a jornada de 6 (seis) horas para os professores: das 7.00 às 13.00 horas; das 13.00 às 19.00 horas.

Implemente-se a presença obrigatória in loco, do coordenador, ou do assistente, ou do diretor, todos com jornada de 8 (oito) horas, desde que entre 7.00 e 19.00 horas.

As escolas disponham de meios para favorecer todos os serviços essenciais prestados pelos auxiliares.

No ensino médio:
Implemente-se a obrigatoriedade de 4 (quatro) anos para o ensino médio, sendo o último para a preparação do adulto que se aproxima à vida na sociedade, com as disciplinas propedêuticas: continuação do estudo da Constituição, introdução às Ciências Políticas, introdução à Economia, à Administração, ao Direito e à Filosofia Jurídica.

Os professores do quarto ano do ensino médio serão especialistas e deverão ser obrigatoriamente diplomados em uma dessas áreas, com extensão de Pós-Graduação.

DA SEGURANÇA NACIONAL:
(Tal como abordado em minha obra FIM DE SEMANA EM PINDORAMA (disponibilizada gratuitamente através do e-mail gilt-edge@bol.com.br), escrita em 2004).

Da segurança fronteiriça:
Democracia é também usar as forças armadas, sim, em prol da Nação.
A democracia reside na soberania.
A engenharia militar deverá construir bases adequadas com plataformas suspensas em toda a Costa Oeste, e noutros pontos, se necessário, a cada 500 km. 

Da segurança interna:
Democracia é também armar e usar as polícias estaduais, sim. As polícias militares e civis obrigatoriamente deverão ter incentivo e facilidade para avançarem nos estudos, de preferência sejam implantadas escolas em quartéis que as comportem.

Dos direitos humanos:
Os direitos humanos também foram pensados para quem respeita direitos. Dada a nossa peculiaridade, ‘chegar numa situação atípica e dizer: por favor, senhores bandidos, somos da polícia e estamos de armas abaixadas, abaixem as suas, também, pois vamos pedir-lhes que se identifiquem’. É fantasioso.

O Estado é o tutor da sociedade e deve, assim, zelar por ela, dando-lha educação com a necessária aplicabilidade da força, se a situação assim o exigir. Logo, ao se arguir a menoridade penal, sem conhecer Direito, é como arguir direitos humanos — que são princípios fundamentais — , para quem não se porta como cidadão, infringindo direitos à vida, e direito de propriedade, por exemplos — que são garantias fundamentais — afrontando a supremacia do Estado, pondo em risco o conceito de democracia que se quer expandir em relação ao próprio respeito quanto aos direitos humanos, sem antes, como fosse no sentido analógico — a analogia é instrumento privativo dos juízes por decidir diante de uma lacuna da lei — , mensurar, como com olhar antinômico também fosse — antinomia é conceito de BOBBIO sobre a ausência de coerência das normas, significa duas normas em conflito: na nossa dissertação, uma manda educar, a outra manda bater — porque a própria dignidade humana exige. Por isso, o Direito é ciência e a exegese também exige um estudo amplo dos fatos e aquele a esses acompanha. Ao caso da menoridade penal não se aplica analogia, tampouco antinomia, somente coerência com a nossa realidade social.

Conclusão:
Zelar mais pela soberania. Educar através dos livros, sim, e da Constituição, também. Há leis que pegam, somente para os miseráveis e leis que não pegam tanto para os miseráveis e mais para os próprios legisladores. Sem educação não se cumpre as leis e não se estará preparado para o exercício como povo.

‘O letrado tem o vício de achar que o não-letrado entende tudo o que ele escreve. Exemplo está em que ‘todos têm o dever de conhecer e respeitar as leis’. Há letrados que as desrespeitam por fazer-se impunes, embora com o concatenamento ou exegese para entender uma lei; o não-letrado, por ser ausente desse conhecimento, sempre estará sujeito a infringi-la, embora não impunemente’.

Disponibilizado educação ao menor, nos moldes descritos, poderíamos pensar em lei para a redução da menoridade penal para dezesseis anos, ainda assim com uma vacatio legis de no mínimo dezesseis anos, para a qual, com sorte, alcançássemos êxito. 

Concluo que, sem dúvida, educando-se o menor, no futuro poderemos ter cidadãos que não desperdicem o seu voto”.

Abraço.
J. M. Monteirás

terça-feira, 10 de março de 2015

UMA BREVE REFLEXÃO FILOSÓFICA SOBRE LIBERDADE E JUSTIÇA


Hoje, vi uma ilustração (facebook.com/humorinteligente01) em que o signo da Liberdade beija vorazmente o da Justiça. No corpo da ilustração os dizeres: "Liberdade e Justiça ficam ótimas juntas".

Ali, a Liberdade demonstra pegada, mas conota mesmo outro tipo de liberdade.

Então vamos falar sério: é bom ter-se pegada no agir, uma vez ganho tal liberdade (um dos pressupostos da democracia que, por exemplo, remete a liberdade de expressão, como aqui, com a observância de que somente louvo o talento do artista gráfico), a liberdade de que 'imprescinde a ética de Aristóteles' (o imperativo categórico de Emmanuel Kant, fundamentado na moral, dever-ser de não mentir, de não ser corrupto, de não furtar, de não roubar, de respeitar direitos), posto que só por fatos assim poderá a Justiça estender a mão aberta, e tal como o bem maior de um povo, reconhecer o bom, parear-se-á com ele, permitindo-se ser abraçada, beijada. A Liberdade é suprema, dotada de essencialidade para a Justiça, mas neste contexto, brado que a Justiça é mor e a Liberdade é condicionada.

Em um devaneio filosófico, abro parênteses e pergunto-me se se confundisse legitimidade com liberdade, em que ressaltaria?

A legitimidade alcança todos os atos inerentes a quem a tenha, óbvio, e abraça-se mas não se aperta a Justiça, no mínimo, antes de se demonstrar o porquê e ter-se deferido o pedido.

Porquanto, nessa esteira dialética, volto-me a charge, por dizer que ainda que eivada de talento artístico, não tem similitude com a dor por que passa a Pátria, neste momento.

Enquanto liberdade pode conotar anarquia, e justiça pode denotar o que se acha que se merece (aqui não me refiro ao artista, mas a generalidade do sentido hermenêutico desses dois elementos compositivos de um Estado), melhor assentir que a Justiça e a Liberdade deem-se as mãos, ou seja, antes de aquela abraçar essa.

Em outras palavras, e como se vê, já estamos a afastar o complexo de gado e será imperativo manter-nos povo, agirmos como tal, mudarmos a camisa do time, assim que comece o novo campeonato: isso será justiça para com o País.

Embora, por ora, numa ilação santificante, só nos resta, mesmo, a liberdade absoluta de carregarmos a crucificada Pátria amada nos ombros.

Por isso, vamos com calma, Brasil, porque a democracia impera que além de outros valores, a Liberdade e a Justiça ficam ótimas juntas, sim.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

PARABÉNS, MINHA SÃO PAULO QUERIDA!

(Em homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo, o autor relembra nestes versos a sua chegada a esta megalópole querida)


Substantivo feminino,
Megalópole aberta,
Eu talvez em trânsito,
Entanto me recebias.

Enquanto eu me entrevava,
Nem adulto, nem infante,
Atônito, querendo mãe,
De certo, mais que'u sofrias.

Aind'assim, eras doçura,
Solidariedade pura!
Ante o arder, num 24 de fevereiro,
Pouco além de completares 418 anos.

Abracei a realidade:
Teus fuscas a voar, do teu povo,
Também os gritos por Deus!

(Do Veneto e fundaram outra flor:
A pirâmide paulistana.
Ó Pirani, como pôde pegar fogo?)

Mãe-megalópole, aqui fiquei,
Pois precisava de ti e lá se vão 43 anos
Por alimentar-me dos teus seios.

Curvo-me ao teu Santo Nome,
E digo em todos os janeiros:
Parabéns, minha querida!
Arde sempre, mas só no meu amor.

                                                                   São Paulo, 25 de janeiro de 2015.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A VIDA E A FÉ, E A MORTE



“Da vida, a fé é a própria crença em si e em cores de ser objeto de quem a sustenta, ou seja, é   onipotência independente, e tal como força suprema que incide sobre quem a invoca, por achar-se  merecedor, como fruto do seu trabalho, posto que a vida nada oferece, por ser objeto de alcance e não de barganha: achar-se merecedor é conquistar a fé, com esforço mental, ou  agarrá-la braçalmente; ou se corre atrás da vida, com tudo que ela carregue, ou se perde das duas.  Chega a morte em duas cores e oferece tudo que tenha, mas depois de retirar o branco. Eis nada para a história, resta o fracasso do homem”.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

MEUS VOTOS PARA 2015

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO A TODOS! 
QUE EM 2015  SE POSSA DESFRUTAR DE DIGNIDADE, COMO SAÚDE PÚBLICA, SEGURANÇA,  PROBIDADE...


"O meu agreste  sem água é um mar morto,

Beira à peste, e o olhar sem mágoa, no ar torto

É clamor dum povo, de abundância prometida,

À espera do novo ou da ambulância da partida".



 

 
Obrigado.


















www.youtube.com/watch?v=zrB1i332J0s