sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

PARABÉNS, MINHA SÃO PAULO QUERIDA!


(A chegada de um migrante)

Substantivo feminino,
Megalópole  aberta,
Pois eu talvez em trânsito,
Entanto me recebias.

Enquanto eu me entrevava,
Atônito, querendo a mãe,
Nem homem, nem  infante,
De certo muito também sofrias.

Mas eras bondade, cegas ao intransitivo,
Ante o  arder,  num 24 de fevereiro,
Pouco além de completares 418 anos.

Abracei uma realidade:
Teus fuscas a voar, do teu povo
Também os gritos,
Da flor do Veneto de então brasileira,
A pirâmide, uma Pirani pegando fogo.

Mãe megalópole, aqui fiquei,
Pois precisava viver mais 42 anos,
Por me curvar ao teu Santo nome,
Pedir-te: arde sempre, mas só no meu amor.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

A VIDA E A FÉ, E A MORTE



“Da vida, a fé é a própria crença em si e em cores de ser objeto de quem a sustenta, ou seja, é   onipotência independente, e tal como força suprema que incide sobre quem a invoca, por achar-se  merecedor, como fruto do seu trabalho, posto que a vida nada oferece, por ser objeto de alcance e não de barganha: achar-se merecedor é conquistar a fé, com esforço mental, ou  agarrá-la braçalmente; ou se corre atrás da vida, com tudo que ela carregue, ou se perde das duas.  Chega a morte em duas cores e oferece tudo que tenha, mas depois de retirar o branco. Eis nada para a história, resta o fracasso do homem”.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

MEUS VOTOS PARA 2015

FELIZ NATAL E PRÓSPERO ANO NOVO A TODOS! 
QUE EM 2015  SE POSSA DESFRUTAR DE DIGNIDADE, COMO SAÚDE PÚBLICA, SEGURANÇA,  PROBIDADE...


"O meu agreste  sem água é um mar morto,

Beira à peste, e o olhar sem mágoa, no ar torto

É clamor dum povo, de abundância prometida,

À espera do novo ou da ambulância da partida".



 

 
Obrigado.


















www.youtube.com/watch?v=zrB1i332J0s



























































segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

COMO CARTA DA SUA PARTEIRA AO CANTOR REGINALDO ROSSI


POR QUE ALGUMAS PESSOAS AMADAS CARECEM DE MAIS PRUDÊNCIA

(Como carta da sua parteira ao cantor Reginaldo Rossi)

Por mim, aquele menino que queria ser cantor e ficava a te admirar, tu de camisa azul clara de mangas longas caídas e desabotoadas nos punhos, recebendo a gravidade de uma bolsa marrom,  a tiracolo,  na porta da velha TV TUPI, início dos anos setenta).

 By J. M. Monteiraso

Ao nascermos, somos anjos,  recebidos de bruços,  como quisessem ver as pontas das nossas asas.

Mas logo nos lascam uma palmada nas nádegas arroxeadas, só por nos verem chorar, como se anjos chorassem.  A palmada, por vezes vem-nos tão forte, como se o obstetra, ou parteira, achassem que somos super-heróis.

Acontece que choramos, pois não somos anjos celestiais, mas, sim, ainda terráqueos.  Ainda, porque alguns ascenderão ainda em vida, enquanto outros, possivelmente,  após a morte, saliente-se.

Salientar significa tornar saliente, ou tornar-se tal. Claro que neste caso, uns tornam-se mesmo salientes: se lhes batem seguida do imperativo ‘chora!’, eles choram, só pra não apanhar mais. Se lhes batem seguido do vocativo ‘canta nenê!’, eles de tão salientes fazem a todos sorrir, assim: neste corpo meigo e tão pequeno, há uma espécie de veneno, tão gostoso e provar...

E o tempo passa, o menino vai crescendo, diz-se quente, acha-se um pão (gato), exige doutros deixar de banca, afirma que não presta mas sabe amar, ama a namorada do amigo, fica meio valentão... mas surge com estes versos: Ah! Que tristeza dá relembrar o dia em que a alegria me disse adeus.

Pudesse estar aí, agora, dar-te-ia  primeiramente uma palmada neste bumbum em repouso, depois um abraço, primeiramente raivoso, como a punir-te pelas imprudências, depois mais um aperto,  gostoso, por teu retorno ao convívio de quem te ama.

Algumas pessoas amadas carecem de mais prudência porque mesmo com tanto carinho que recebem mundo afora, desconhecem o segredo do cofre desses que lhes querem bem.

Toma juízo, meu garoto saliente!  Não precisas agir assim,  ganhar colo e comidinha numa cama de UTI é, neste momento, relevante; embora saibas, é bom reiterar que és amado e por isso tens o dever da prudência e a sabedoria de que teu íntimo não machucará a alma dos teus fiéis.

Vieste ao mundo para cantar e alegrar, ser saliente sem ser imprudente. A culpa é da nossa sociedade e logo também tua se não estás de pé, agora,  para receberes a louvação do teu auditório.  Reflete e volta, amanhã, com como o encanto dos recém nascidos, sem os vícios dos adultos, porque até esta velha tua parteira estará ao teu lado. Com a graça de Deus.

Volta e refaz a letra daquela canção: toda a alegria que eu sinto agora só pôde acontecer porque a felicidade trouxera quem me  ama ainda mais pra mais de mim:  o público.

Abraço, amigo.

................................................................................................................................................................ Pois é, não deu, amigo, o inevitável sempre vence. Descanse em paz. Quem sabe, não viramos mesmo bebês, por nascermos de novo. Descanse em paz!

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

HOMENAGEM A NELSON MANDELA


Quando nasci, me assentaram no registro a tal da cor parda, como fingidamente costumava-se chamar as pessoas tidas por negras, mas com algum prestígio local; lá na minha terra, chama-se os mestiços, índios, mulatos de caboclos. Destarte, minha origem paterna é portuguesa e a materna é de uma linda caboclazinha, tupinambá.

Isso porque, século XIX, certo fidalgo, português, de olhos verdes e apaixonado pela terra do pau brasil, montou em seu cavalo e a galope alcançou a mocinha selvagem e pura: conta-se que teve de aprisioná-la por algum tempo, como domando-a, por torná-la esposa, sob a curiosidade dos seus familiares.


O tempo passou e certo dia, num momentâneo desafeto, um coleguinha de colégio me disse: seu negrinho chato! Ofendi-me e bati-lhe na face. (Eu senti vergonha de ser chamado de negro pela primeira vez. Mas sou negro, sim, bisneto daquele cavaleiro fidalgo e daquela meninazinha originalmente brasileira, como Machado de Assis e Castro Alves, por exemplos: do meu bisavô, modéstia à parte, herdei o bom gosto pela literatura e pela poesia, mais tarde também pela filosofia, estas que fluíam no sangue do não menos querido papai — por quem fui iniciado em tal idiossincrasia, mas aos olhos dos infantes incautos, meus amiguinhos perdidos na temporalidade —, e com quem também aprendi a diferenciar pessoa humana de gente e esta de povo, e a questionar; destarte, nem todos são compreendidos): o fato ocorreu porque era aula de História do Brasil, e eu não entendia por que o Cabo da Boa Esperança tinha tal nome, vez que fica na África do Sul que parecia não dar importância à grita dos negros, imperava o Apartheid.

Cresci, também, aos pés de uma estátua de Ruy Barbosa, insigne da minh’alma; decerto, não poderia morrer sem estudar Direito.

Direito é o conjunto de normas jurídicas vigentes em um país, o que chamamos de direito positivo, porque conforme a lei. Resumidamente, direitos são as garantias do cidadão, como o da igualdade racial.

Foi exatamente, usando do meu ainda tímido direito de questionar que me solidarizei com a dor de um homem negro e forte, de músculos e de honra e aspirações: Nelson Mandela, o Xhosa que lutou pelo seu direito magno, o da igualdade racial, e que depois de amargar a prisão e a tortura por vinte e sete anos, tornar-se-ia o Presidente do seu povo, ganharia o Prêmio Nobel da Paz e calaria a boca dos perversos e racistas. 


Morre hoje o cansado corpo, mas fica o legado do homem; sobe ao celestial a sua alma, a ser recebida no salão lilás, com incontáveis mega-tons de acolha e felicidade; sei que dói, mas não chores, vela a pele de quem não se te esfriará, por ser histórica, teu orgulho, ó África do Sul! Assim e em igualdade, o mundo já compartilha e se colore.
 




 December, 05, 2013.  facebook: jmmonteiraso  @dellarquim

domingo, 20 de outubro de 2013

O CAPITAL VERSUS A INSENSATEZ E OS MAUS TRATOS AOS ANIMAIS

Amigos, escrevo-lhes para dizer-lhes o que penso do capital, cuja nova classificação gramatical ouso  dar: ‘substantivo masculino antagônico, que se em mãos de gente sana corrobora com o desenvolvimento humano: quer religioso, cultural, científico; quer se em mãos de mentes diabólicas tenta matar até Deus’.
O capital quando atrelado a pseudos poderosos, que não se acham à subsunção da lei, humanos na aparência, mas por baixo dos ternos apresentam chifres também nas tetas, é o mal e o bem, a ignomínia e a virtude, a sabedoria e a insensatez, que levam a maioria dos homens ao desequilíbrio, à selvageria e à insanidade incompreensíveis.

Enquanto bem gerido, esse substantivo antagônico abarca o que de melhor se extrai do velho jus naturalismo: o respeito à Natureza, porquanto, a todos os espécimes que Nela se contêm; enquanto mal gerido, tira o homem da essência divina e o remete às profundezas do inferno, logo, submetido ao positivismo, no qual deverá pagar por seus atos.

Refiro-me ao infernal episódio ocorrido esta semana, em que ativistas, com apoio de Black Blocs, invadiram o Laboratório Royal, embora a associação de cientistas SBPC defende as pesquisas com animais, já não era sem tempo de se tomar uma atitude cuja repercussão universal chamasse à baila o que se faz mundo afora com os animais: uns, por desenvolverem fórmulas para perfumes, extraem os testículos daqueles e os soltam à mata, como pudessem recompor a sua saúde, mediante a dor da castração; outros esfolam ainda vivas focas no Polo Norte, e mancham a neve alva de uma maldita e capitalista querência rubra, como levasse incautos a confundi-la com imensos potes de catchup derramados, após a ceia de algum expedicionário pacífico, que não conhecesse a dor de um sangue derramado, em animal ainda vivo, reitere-se, em ato de irreversividade vital; ou mesmo aqui na nossa cara o mal ao meio ambiente de Peruíbe, estado de São Paulo, com projetos questionáveis, ademais, a construção da Usina de Belo Monte, no estado do Pará. Ecossistema e índios parecem não ter vida, assim como os que idealizam tais barbáries em nome do progresso insustentável parecem não ser humanos.

Os Black Blocs, que até então eram alvo de críticas, porque agiam na contramão dos justos movimentos sociais, nos quais se infiltravam, surpreendentemente se aliaram aos ativistas que afirmam ter desmoronado a dor dos animais no tal laboratório Royal. Em sendo assim, é cidadania!

Cidadania também é não consumir produtos de empresas comprovadamente cruéis.

O nobre então Promotor de Justiça, Deputado Estadual e doutrinador de Direito Penal e Processo Penal Fernando Capez, manifestou-se em discurso forte, no Plenário, em apoio aos ativistas. Eu estou com o eminente supra, portanto, com o bem e com o Deus; e os que são do capeta que morram logo e vão morar com ele.

A conclusão o capital não é selvagem, homens o fazem e igualmente se tornam, e que a sociedade não pode, não deve e há de sempre entender e assegurar a importância das pesquisas científicas, se eticamente comprovada, missão do Ministério Público.

Por favor, compartilhe.

Obrigado.


 

domingo, 15 de setembro de 2013

A PRIMAVERA

 
 

A Primavera.  Ah!  A Primavera!  A melhor estação para andar descalço: mesmo se o trem chegasse e ele não conseguisse contratar um carreto, voltávamos os dois, ora largados na carroça, marcando fracamente nos joelhos o tempo e nos corações o andamento da canção da simplicidade, ora com nossos chinelos de dedo nas mãos, felizes, pisando em flores orvalhadas, entoando com os pássaros ora notas soltas, ora silenciosos e agradecidos, enquanto o burro balançava o rabo e trotava, e dançava e dançava, mesmo com as patas idosas, sem sapatos de ferro. Éramos todos felicidade.  Por isso, sentíamos os três o chão oloroso muito mais que os mais abastados. Eu sempre atento à copa das árvores: ora, apreciando uma, ora, outra e querendo que sua beleza pulasse em mim. Eu era todo flor-de-lis, com a nova estação, pássaro deixaria para sempre de ser vítima do meu estilingue.                                   J. M. Monteirás in DELLARQUIM, p.28

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA


Aos olhos do poeta.

Um bem jurídico que nada signifique para o homem que não saiba o que é valor pode ser muito significante para o que na alma guarde o que tanto se deva valorizar: o já velho e quebrado primeiro brinquedo, ou o livro desbotado da sua primeira leitura, por exemplos.

De modo que, a quaisquer ramos do Direito, inquestionável, outros bens de maior e suma significância para o equilíbrio, como a família, ou qualquer de seus membros, seja humana ou animal ou outra assim espécie ameaçada da Natureza, em sua grita de socorro.

Portanto, o milionário não deve ver-se diminuído de suas posses por furto de coisa de pouco valor, material, ou fungível,  mas ele e o humilde, este que quase nada possui, poderão sentir-se demasiadamente violados, se lhes subtraído ainda que só um verso de um tempo irrecuperável.  O Mundo não pode perder de si mesmo, por isso as Leis regulamentam e o Direito em suas fontes se lhes exige.

 Role o cursor para baixo e veja também em publicações mais antigas o artigo PIF - PERITONITE INFECCIOSA FELINA  x  MAUS TRATOS AOS ANIMAIS


Aos olhos do Ordenamento.

APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA NOS CRIMES PATRIMONIAIS
                  

Conforme nosso ordenamento penal, crime é um fato típico, antijurídico e culpável.

Dos ilícitos penais sobre o patrimônio, tais como  furto (artigo 155) e estelionato (artigo 171), e outros como de apropriação (artigos 168 e 169) quer em face do particular (patrimônio privado), quer em face da administração pública (patrimônio público), se de menor monta, poder-se-á aplicar-lhes o  Princípio da Insignificância.

O Código Penal pátrio, recebeu influências de filósofos liberais, cujo pensamento baseava-se no princípio da utilidade pública, dentre esses o empirista Jeremy Bentham1 (Londres, 1748-1832); Cesare Beccaria2 (Milão, 1738 -1794) e Mello Freire3 (Portugal, 1738-1798), além dos Códigos Napoleônico (França, 1810 e 1819); Código alemão (1813, que aproveitou fragmentos do direito romano) e do Código dos Estados Unidos da América (1881), mas de relevância para este tema, cabe citar o  brocardo do direito romano “de minimis nom curat praetor”, ou seja, o pretor não cuida de coisas pequenas; pelo que se interpreta, de certo modo, deixar desamparadas juridicamente as questões patrimoniais de pequena monta, ao que hodiernamente chamamos de insignificantes.

O Princípio da Insignificância é subjetivo, portanto aplicado conforme a complexidade do caso, mensurando-se a valoração ou relevância penal, ficando a argumentação arguida ao arbítrio do julgador, a entender ou não ser o ilícito simplesmente crime de bagatela.

Para o Superior Tribunal de Justiça, o Princípio da Insignificância, a bagatela no caso de furto, por exemplo, é a subtração de valor tão ínfimo em relação ao bem jurídico tutelado e o tipo injusto,  cuja res furtiva equivalha a uma esmola, configurando um delito de bagatela, não havendo, portanto, que se punir o agente.

No entanto, posicionamento firmado pela Quinta Turma do STJ no julgamento do HC 150.236-DF, Min. Rel. Laurita Vaz, denegou o remédio sobre o crime de furto qualificado de objetos dentro de veículo, no montante de R$ 75,00 (setenta e cinco reais) por, embora de pequena monta,  tratar-se de ato reiterado do paciente,    mantendo-se a condenação de 2 (dois) anos e 7 (sete) meses  de reclusão em regime semiaberto.

Nesta mesma esteira interpretativa, no Resp 827.960-PR, a mesma Turma, Min. Rel. Felix Fischer, sobre o furto de uma lata de cola no valor de R$ 4,15 (quatro reais e quinze centavos) igualmente negou provimento, sob a alegação de maus antecedentes do Recorrente. In verbis:  Vale dizer: o que seria insignificante passa a ser penalmente relevante diante dos maus antecedentes; e, o que seria penalmente relevante pode deixar de ser pelos louváveis antecedentes (ou condição social). Isto, data venia, é incompatível com o Estado de Direito Democrático.  Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial.

Conclui-se, portanto, que não só bastará ser o valor subtraído ínfimo o suficiente para não se punir o agente, destarte necessário levar-se em consideração os bons antecedentes.
Nesta mesma linha de valoração ou relevância penal, cabe distinguir a bagatela da coisa de pequeno valor, porque enquanto aquela não pune, ou seja, conforme entendimento do STF exclui a tipicidade, desde que atendidos 4 (quatro) requisitos, quais sejam:

1.                Mínima ofensividade;
2.                Ausência total de periculosidade da ação;
3.                Ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento;
4.                Inexpressividade da lesão jurídica ocasionada.

Ademais, na utilização prática, quanto aos crimes de bagatela, demonstre-se o fato ter sido praticado sem violência ou grave ameaça; já nos crimes de pequeno valor, ou seja, como referência não ultrapassem um salário mínimo, não excluem a tipicidade mas por serem de menor potencial ofensivo, são privilegiados com a pena reduzida.

Define-se patrimônio como direito que dispõe de valor econômico ou afetivo. Assim, crimes patrimoniais como furto (artigo 155),  estelionato (artigo 171)  e outros como de apropriação (artigos 168 e 169) todos do Código Penal, poderão ocorrer não somente em prejuízo do bem privado (particular), como em prejuízo do bem público (Administração Pública – Lei nº 8.137/1990 – artigos 1º e 2º) e artigos 312, 313, 316, 317, 337-A e outros do Código Penal).


No caso de crimes praticados contra a Administração Pública, por adequação de custos, decidiu o STF pelo Princípio da Insignificância, logo, não sujeitando a Execução Fiscal montante não superior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), letra do artigo 20 da Lei nº 10.522/2002, alterado pela Lei nº 11.033/2004.



*  O Código Penal brasileiro, com características baseada no pensamento liberal e no princípio da utilidade pública, teve como influência as idéias de Bentham, Beccaria e Mello Freire, bem como dos Códigos franceses de 1810 e 1819 (também conhecido de Napoleônico), do Código da Baviera e do Código da Lousiana. Instituto Palmas de Ensino Superior.  Elielma dos Santos Silva. Mauricio Kramer. Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAsC8AE/direito-penal

BENTHAM1, Jeremy   – O empirismo era a concentração filosófica na moral e na política, cuja base do pensamento de Bentham era o princípio da maior felicidade, afastando o egoísmo e o interesse pessoal (N. do A).

BECCARIA2, Cesare – Preocupava-se muito com a vida após o cárcere ou seja, o egresso à sociedade, a reabilitação social (N do A).
MELLO FREIRE3, Paschoal José – Contemporâneo de Beccaria, professor da Universidade de Coimbra e  doutrinador com também pensamento humanitário, defensor do de leis menos severas, entende que o criminoso ainda é cidadão e deve ser tratado, visando a ressocialização (N do A).

                                                                 

terça-feira, 27 de agosto de 2013

ADEUS, GILMAR DOS SANTOS NEVES

Estou aqui pensando como não será a Seleção Brasileira no Céu.
Podem chutar à vontade, pois vai ter quem cate.
O bicampeão mundial Gilmar foi um dos grandes goleiros que vi voar pra bola e não espalmá-la: catava!
Em tempo, igualmente magistrais Castilho, Marco Aurélio, Manga... e Chagas, do meu inesquecível 2 de Julho,   na minha infância querida, em Ruy Barbosa-Ba (http://jornalmunicipal.blogspot.com.br/2009/10/um-memoravel-dois-de-julho-x-flamengao.html). É isso mesmo, um goleiro e tanto!, e outros craques do futebol... da minha inesquecível cidadezinha.

 Vou dar trechos da minha obra DELLARQUIM.

P. 51.

Todavia, nada disso representava para nós, se comparado ao ufanável e pugente espetáculo nas tardes de domingo, em nosso teatro inintelegível, sem tapete no chão, de piso irregular, de telhado celestial (em 1959, a América Latina passava por grande transformação política, iniciara-se a guerrilha, Fidel Castro assumira o poder em Cuba, Che Guevara fora condecorado pelo governo brasileiro, abria-se, então, o livro do futuro enigmático; e lá, em nossa cidadezinha, ninguém parecia dar tanta importância): nossa festa privativa! Prazer inigualável, espetáculo de beleza e sincronismo a céu aberto, reitere-se, em que os aplausos ecoavam rumo às outras estrelas envelhecidas que por lá ficavam, a velar novos instantes, porque outras, recém-surgidas, no mesmo palco, conosco igualmente convivessem - minhas tardes de futebol.

P.59
Contava do orgulho da nossa cidade, as vesperais de domingo.
Do lado oeste, portanto oposto à estação e trens, rodeados por eucaliptos e bambus, homens faziam suas apostas. Alguns quase se excediam ao oferecer tantas vantagens, outros perdiam tudo, por acreditar que essas vantagens, às vezes já conseguidas, perdurariam para pleno êxito. Dou-lhe três por um, dou-lhe dez por dois... Aceito!
As duas equipes exaltavam até os deuses, embora eram homens comuns: nossos amigos e nossos ídolos, nossos inimigos e nossos heróis. Amigos, porque convivíamos pelas ruas, ídolos, porque eram mesmo insignes. Inimigos apenas por alguns minutos, levados pelo brio e respeito à competição; heróis, porque eram imbatíveis.
A primeira equipe vestia calção e meias brancas, camisa amarela com uma faixa perpendicular verde, que começava do lado esquerdo e subia até o ombro direito. Nas costas, um número destacado,  sobre o peito esquerdo, o emblema mais bonito até então visto: 2 de julho. Ambos ainda na cor verde.
A segunda equipe, calção preto, meias vermelhas e camisa branca com duas faixas horizontais na altura do peito, uma na cor preta, outra na cor vermelha. Nas costas, o número, destacado, na cor preta, e sobre o peito esquerdo - como também não poderia deixar de ser - o "F", como fosse de força, ambos bordados, ainda em vermelho, com as bordas pretas.
Cabe repetir que eram vinte  dois homens, vinte e dois ídolos, vinte e dois craques, vinte e dois heróis. Dois times de futebol. E eu torcia pelos dois.
Penso até hoje ter sido aquilo uma dádiva de Deus, porque em um lugarzinho tão escondido do universo - onde areia era grama e nem acentos havia, onde, também, por todo o tempo do jogo as emoções se multiplicavam - aí eu estava, presenciando a tudo, admirado, vendo homens e mulheres a deliciar-se com as jogas. Um, era canário cantador; outro, rubro-negro encantador. Dellarquim e eu, lado a lado, com ares de superioridade, em nossa análise tática, vendo um ora atacando o outro, ora defendendo-se com igual honra.

Estávamos todos predestinados ao equilíbrio e à felicidade, porque os jogos quase sempre terminariam empatados. Quem se dava a vantagens sabia que só ganharia, mesmo, com a dignidade daqueles herois: Álvaro, Joaninho, Moreno, Paulo, Nildo, Chagas, Zé Rarapa, tantos... tantos... tantos... tantos, meu Deus!

 P.61- 64
O jogo de futebol é caracterizado pela plástica das jogadas, pela euforia das torcidas, pelo próprio espetáculo, pelos comentários instantâneos e posteriores. Em nossa cidadezinha linda, de ruas limpas e onde não se cospe no chão, não era diferente: convinha-nos morar na admiração, no louvar, na euforia, sonhar no orgulho: Homo sapiens de Lineu.


 "O que vi com os meus próprios olhos, naufragados nos raios daquelas tardes, ninguém veria, não o fossem juventas de um coração infante, irresistivelmente abertas a esse colírio e já distinguissem o que mancha e cega do que apraz, embeleza e fica. Antes, tudo me era imaginário, depois, real  belo. Ah, eu pudesse ter de volta esse tempo!".

Homo sapiens de Lineu!!!
Quem nos desafiou, morreu,
São heróis os nossos homens!!!
As redes logo aos dolmens!!!!

E muito mais que em tríade, assim gritávamos pelas ruas.

Equipes afamadas caíam derrotadas aos pés de nossos heróis. Como podem jogar tanto futebol no pior campo do mundo?! - perguntava-se sempre cada qual daquelas.

Vou descrever algumas jogadas épicas, as quais, envaidecidamente, batizei de quânticas. Não dos canarinhos, nem dos rubro-negros, mas da seleção da cidade, uniforme azul-claro e branco, contra um dos melhores times que havia do Sul.
De esquema tático inicial 4-4-2, aparentando retranca, mas ver-se-á que não, porque era no campo do adversário. A bola teria de ser combatida por nossos dois atacantes, já na saída de jogo do adversário; na espreita pelo abafar surpresa, dois de logo atrás, abriam em "V", enquanto os laterais recompunham o meio-campo. Isso mesmo, cruzava quem tinha mais habilidade.
Equipe alguma resistia por mais de quinze minutos a esquema tão mutante. A armação inicial defensiva, tornava-se um ataque voraz em 2-4-4, sem medo de levar bola nas costas, por acreditar em si. Futebol também é coragem e inovação. (para ilustrar melhor esse esquema, imagine-se a figura de uma taça cheia da melhor champanhe, em que o nível seja a linha da grande área do adversário: ora, duas cerejas; ora, quatro, flutuando nessa linha; outras duas logo abaixo e mais duas em liberdade, para navegarem quer pelas laterais,  pela diagonal, quer pela sua vontade, tudo isso sem esquecerem de que de um horizonte a outro há sempre a linha do equador. Ao pé da taça, embalada numa rede, a cereja-mor: descansada, serena, confiante,  número um nas costas, galhos flexíveis e atenção nos olhos. À sua frente, dois lépidos e ferozes cães, prontos para a mordida, no resguardar da sua melhor fruta. É apenas questão de ver ou não o cristal de cabeça para baixo, e de cristais nós entendíamos.
Quanto à  taça sempre nos vinha, claro!, e de boca para cima, cheia de borbulhas do orgulho de nossas onze cerejas, deliciosamente boas de se ver, e que nunca se jactavam.

Meritórios, sim, dedicavam-se ao esquema tático, de forma única, sem se tolherem. Aquela equipe, se preciso fosse, e eu vi, defendia-se com oito e atacava com oito, porque os zagueiros, além de combativos também sabiam driblar, conduzir a bola com maestria, criar oportunidades de gol, e os pontas, que tinham a velocidade da luz, geralmente cruzavam rasteiro, pegando a defesa adversária de lado, assim, havia sempre quatro homens para concluírem a gol e mais quatro logo atrás, também para essa ou qualquer outra possibilidade.

O movimentar-se em "xis": como era engraçado o susto e o desespero do lateral direito adversário, ao ver a bola lançada sobre suas costas, e aquele nosso neguinho, Zé Biziu, a surgir da meia esquerda para o ataque, usando a linha central do campo e a da lateral como catetos, enquanto se transformava em hipotenusa. Quantos vi a tentar alcançar a bola com a mão, em lançamento belo de João Ziriguidum, tropeçando no ar, em suas próprias pernas e caindo no campo da vergonha. Ser-lhes ia melhor terem fechado os olhos e morrido na inércia, assim não veriam nosso "Zé", ponteiro esquerdo dos bons, ora a amaciá-la no corner e cruzá-la para a entrada fatal do nosso oito, ou do nove, ou do dez; ora cruzando-a por toda a extensão da área, para nosso outro ponta bater de primeira, com o lado de fora do pé direito, tornando o difícil ou quase impossível em mais um brado retumbante: de gol!

E quando, raramente, o adversário, cobrava um tiro de canto, nossa defesa subia e, de cabeça, recuava a bola ao goleiro que, velozmente, a lançava com o pé ao nosso centroavante Jorge Guaçu, enquanto no ar ecoava mais um grito retumbante.

Por dar mais, onde já se viu alguém entrar na área adversária, com bola e tudo, após tabelar em pernas adversárias, em cobrança com barreira, e encostar a bola no canto oposto ao do goleiro, com a força de uma calmaria? Eu posso provar! Nosso lula, Luis Lacerda e irmão de Delorme, camisa 10, o melhor de pele branca que já vi jogar, meu primeiro ídolo, assim fazia, mas somente nas tardes em que não estava tão inspirado. Mirabile dictu!

Quando digo que derramei lágrimas nestas páginas, certamente eis um dos motivos. Era-me também um tempo em que minha Seleção me fazia chorar, quando não ganhava de goleada.

Já era noite de domingo, quando aquela gente sofrida, de mãos calejadas de tanto trabalhar a terra, montava em seus cavalos e partia para os seu ranchos, a trote lento, compassado, pitando cigarro de palha e tentando repetir o refrão, enquanto nós, a garotada, continuávamos radiantes pelas ruas e orgulhosos dos nossos heróis: Homo sapiens de Lineu.

Ó minha cidadezinha linda, onde não se cospe no chão e aprendi a ser gente.

"Minha querida Orobó,
Tu que de tão limpa história
Não tens errante, abres tranca
Oh! mãe d'ilustres cidadãos!


Não te houveras como eu:
Foste à luta  e eu à lua,
Mas não te esqueci, nem devia,
Sementezinha de paixão.


Eu tantas vezes quis voltar
Para rever-te, abraçar-te,
Ficar descalço a correr,
Mas sem jamais pisar teu chão,


Quanto sei que são as saudades
Que bem florescem em tuas praças;
Flores que só mesmo as águas
Que saem da minha regarão.


Querida, hoje os meus braços são tão curtos".

sexta-feira, 2 de agosto de 2013


OBRIGADO,   MEU DEUS!

Obrigado por   tudo que já vivi nesta minha vida.

 Por ter sabido descartar as coisas ruins:
1.      Os amigos que se diziam amigos,

2.      As doenças que venci,

3.      Os males da alma (tentações tortas),

4.      As ofensas desnecessárias e o perdão que não ganhei.

Obrigado por ter-me ensinado a velar as coisas boas e guardá-las no meu arquivo  que se abre automaticamente:
1.      As pessoas que inesperadamente e na hora mais precisada se me  apresentaram 
          como amigas  e assim se portam;

2.      Todos os animais com a sua pureza e o de mais da Natureza;

3.      O trabalho e o bem material apenas necessário;

4.      O amor afetivo que me deste na mulher amada e a sua retribuição;

5.      A serenidade para poder resolver os impasses e perdoar;

6.      A felicidade de este mês comemorar mais um aniversário.

Paro em dez coisas, Senhor, pra não tomar Teu tempo e porque sei que cumpro Teus mandamentos.

Amém.

terça-feira, 30 de julho de 2013

ABUSO DE CAPITAL

"Não será o suor do miserável a fortalecer o sangue do que se comporte com anatocismo, nem da riqueza lídima deste se prevalecerá aquele".

sexta-feira, 12 de julho de 2013

PARA DJALMA SANTOS

                                                                       

                                              PARA DJALMA SANTOS, COM GRATIDÃO!
                                                 (O que vi com os meus próprios olhos)
                                                                   São Paulo, 12/07/2013

        Este texto é para quem gosta de futebol, não como torcedor sazonal, mas pela poética da historicidade e a saudade que eles nos deixam.
 
Era final do ano de mil novecentos e setenta e seis, eu morava na cidade de São Paulo, mais precisamente no Bairro Ponte Pequena, Rua Porto Seguro, a 300 metros do número 1.000 da Avenida Cruzeiro do Sul, Estádio da CMTC- Companhia Municipal de Transportes Coletivos (mais tarde seria extinta, por ser criada a atual SPTrans), onde as  manhãs de domingo se faziam festivas, com o Desafio ao Galo, o imperativo Futebol de Várzea, sob a transmissão da TV Record, entrevistas de Samuel Ferro e narração de Raul Tabajara.

Eu já havia parado de insistir em  fazer teste na LUSA, que pretensão a minha! A LUSA que fora de Julinho Botelho e do professor Djalma Santos,  depois seria de Ratinho,  Leivinha e Marinho Peres...

E então, numa daquelas manhãs, arquibancada lotada, já por volta das 9h30min o professor chegou: andar meio cambaleante, chuteiras na mão esquerda, feição serena, já pelo peso da meia idade e a certeza de ter construído a sua história, quando logo o rodeamos e fomos todos atendidos com abraços, afagos, a cordialidade dos insignes...

              A imprensa esperou-o concluir seus gestos para conosco,  gratos por sua presença e ávidos por alguma mostra de como acaricia-se  a bola;  e ele, não menos virtuosamente também a atendeu para, depois seguir, olhando pro chão e pisando levemente no cascalho que dava direção a um pequeno ambiente o qual se tinha como vestiário.

As equipes entraram em campo, e como se sabe os fogos sempre pareciam convidar também os poucos peixes que ainda lutavam pela sobrevivência no já adoentado Rio Tietê. Mas o Professor só estava ali para alguns minutos de apoteose, não por enfrentar o adversário, um time difícil: jovem e veloz, audacioso e reiterado, querendo a consagração.

Coisa de Deus, havia mesmo de acontecer logo em frente à cabine do narrador: de repente, a defesa inteira aberta, só restava o velho lateral direito, que possivelmente não conseguira avançar na mesma linha imaginária dos seus colegas, por um possível impedimento dos meninos incautos, o ataque adversário, quando, a bola lhe chegou viva, saltitante, difícil de ser dominada.

O ponta esquerda partiu pra cima do professor e o meia igualmente obstou a possibilidade de recuo ao goleiro.

Então, no ar assim ecoou:

— Dá um bico pra arquibancada, Seu Djalma! — muitos bradarem, em coro.

— Joga ela pra além da Neusa!  (a fábrica de balas do Canindé). Vai! Vai!— implorei.
           
            E outros:

— Meu Deus! Com ele, não!
 
           Mas os incrédulos:

— Já era.
 
Mas que nada, como esperasse o audacioso e jovem atacante chegar-lhe mais, por uns seis ou cinco centímetros, talvez, visto que não me lembro de ainda haver tal distância, deu um leve totozinho nela, com o bico da chuteira do pé direito e, como parecesse esperar ainda mais, com toda a calma da paz, quando a chuteira do adversário já parecia ganhar da sua, tocou com o pé esquerdo, por cima do incauto, conduzindo a sua enamorada, a bola, a  inicialmente fazer-lhe a barba e o bigode, quiçá pela primeira vez, depois a acariciar-lhe o nariz e a testa, por fim a     pentear-lhe  a cabeleira à Jovem Guarda... para dormir no peito do seu companheiro que voltava desesperado, pronto por oferecer a já desnecessária ajuda ao deus Djalma Santos.

Pelo respeito, tudo se fez silêncio!

E agora, também é momento de silêncio, precisamos os adoradores do belo, orarmos por sua breve recuperação.

Amém.
 

Pois é, amigos, não lhe oramos pouco, mas é assim, mesmo: em

22/07/2013 foi recebido no Céu.




Djalma Santos  é considerado o maior lateral direito de todos os tempos. Atuou na Portuguesa, Palmeiras  e Atlético Paranaense.  Óbvio, campeão e bicampeão pela Seleção Canarinho em 1958 e 1962, respectivamente.

 J. M. Monteiraso,  2013. Todos os direitos reservados. @dellarquim  jmmonteiraso@blogsopot.com.br